segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Bahia Pesca apresenta sistema de piscicultura para o semiárido

“Sistema de bioflocos” permite que o produtor passe até seis meses sem necessidade de renovar a água dos tanques de produção
A Bahia Pesca (empresa vinculada à Secretaria de Agricultura) anunciará, em Fortaleza, uma tecnologia adaptada pela empresa para a produção de peixes. Trata-se da piscicultura em sistema bioflocos. O novo método de produção permite que os produtores baianos – especialmente aqueles localizados no semiárido – possam ter “fazendas” de peixes mesmo em locais com baixo suprimento de água. O sistema permite que o produtor passe até seis meses sem precisar renovar a água de seus tanques.
O processo será demonstrado para produtores e pesquisadores de todo o Brasil durante a Fenacam (Feira Nacional do Camarão), que acontece entre terça e quinta-feira (22 a 24 de novembro) no Centro de Eventos do Ceará, das 14h às 22h. A Bahia Pesca estará com um estande no local para apresentar aos investidores de todo o mundo as oportunidades de investimentos na Bahia. Técnicos da empresa estarão à disposição para explicar como funciona o sistema e seus benefícios.
O presidente da Bahia Pesca, Dernival Oliveira Júnior, explica que “o sistema permite a utilização de uma água imprópria para consumo humano, mas apropriada para dar uma alternativa de renda e alimento para o sertanejo. Ao contrário do que disse a música, o sertão não virou mar, mas vai dar peixe”.
“Este sistema chega como uma nova alternativa para regiões que atravessam um longo período de estiagem. Diante do grande potencial da Bahia para a produção de pescado, o governo do Estado não mede esforços e vem empreendendo e intensificando ações para estruturar a atividade pesqueira e tornar o Estado autossuficiente na produção. A apresentação desta nova tecnologia, implementada pela Bahia Pesca, demonstra o nosso comprometimento com o acesso às novas técnicas, o aumento da renda e a promoção de melhorias na qualidade de vida dos produtores”, declarou o secretário da Agricultura, Vitor Bonfim.
O sistema bioflocos
A tecnologia de bioflocos consiste na técnica de cultivo que estimula o crescimento de bactérias que fazem a assimilação em biomassa bacteriana, formando aglomerados compostos por restos de fezes e ração, bactérias e outros microrganismos. “Essa técnica reaproveita a água do sistema e permite a diminuição de gastos com a renovação da água, reduzindo o consumo e o impacto ambiental, e aumentando a eficiência e a sustentabilidade da produção”, explica o gerente de projetos da Bahia Pesca, José Sanches Júnior.
A Bahia Pesca prevê a instalação, em cidades do semiárido, de tanques-lona com capacidade para 20 mil litros de água, que serão povoados com tilápias, peixe de fácil manejo e ótima adaptabilidade. Cada tanque será capaz de produzir, por ano, 3600 quilos de peixes. A Bahia Pesca está em fase de captação de recursos para a implantação dos sistemas nas comunidades rurais do estado.
O benefício
“Com o sistema tradicional de piscicultura, a água utilizada nos tanques precisa passar por constante renovação. Entre 3% e 10% da água precisa ser trocada diariamente. Já com o sistema de bioflocos, esta água só precisa ser trocada a cada seis meses, tempo de duração de um ciclo de produção”, explica o gerente de projetos.

Fonte:
ASCOM BAHIA PESCA
Jornalista responsável: Jan Penalva (DRT/BA 3672)
Tel: (71) 3116-7154 / 99160-9687

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Fim de seca anima empresários da agricultura

Os empresários da agricultura e pecuária baiana terminam 2016 com os olhos voltados para os céus. Após o quinto ano consecutivo de seca, com prejuízos que ultrapassam os R$ 3 bilhões apenas na região Oeste, La Niña já trouxe as primeiras chuvas. 
“As chuvas chegaram nesta semana. Os produtores estão entusiasmados porque os prejuízos foram grandes”, comemorava o secretário da Agricultura, Victor Bonfim, durante a apresentação  da Fenagro, na última quinta-feira. 
Bonfim lembra que desta vez os efeitos da estiagem se espalharam por todas as regiões agrícolas da Bahia. A região do Cacau teve quebra de 50% na safra, o Oeste contabilizou perdas de 40% na produção de soja e de 38% na de algodão, diz. 
Entre os pecuaristas, os prejuízos também foram grandes. Só na região de Vitória da Conquista foram perdidas mais de 15 mil cabeças de gado, fala o secretário. “No próximo ano a agropecuária voltará a contribuir com o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) da Bahia”, projeta.
"O Brasil precisa reflorestar 20 milhões de hectares e isso será feito com florestas plantadas. Onde vai ser? Dependem das condições", diz Wilson Andrade, presidente da Abaf, defendendo que a Bahia se prepare para atrair os investimentos necessários para cumprir o Acordo Climático Global de Paris.
Decisão tomadaEm seis meses, o governo Temer tomou uma decisão que vinha se arrastando por décadas a respeito do Porto de Salvador: a expansão do atual Terminal de Contêineres (Tecon), operado pela Wilson Sons, ou a construção de um novo terminal. Optou pela ampliação, fato comemorado por uns e lamentado por outros. 
Com a decisão, o cais principal do Tecon deverá passar dos atuais 357 metros para 800 metros, como parte de um investimento de R$ 358 milhões. Somando-se os gastos com a manutenção, a Wilson Sons vai desembolsar na área R$ 715 milhões, em troca de mais 25 anos de concessão da área, findos em 2050. 
Com isso, espera-se que o estado tenha condições de receber por vez dois navios com 366 metros de cumprimento – os maiores em construção atualmente – a partir de 2020. Se o governo federal tivesse definido a ampliação, ou a construção de um novo terminal, há dez anos, hoje a Bahia estaria em posição de vanguarda. Agora é torcer pela mesma agilidade  em Aratu. 
Mudou a data e ficou na mesma situaçãoO Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou o adiamento do Leilão de Energia Renovável (LER) do dia 16 para 19 de dezembro. Na prática, não muda nada em relação à situação da Bahia, cujos projetos permanecem fora da disputa por falta de estrutura para a transmissão de energia. 
Caso a situação não se modifique, a Bahia vai deixar de receber aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos previstos. Mesmo com o prazo se esgotando, o governo baiano ainda mantém as esperanças de uma decisão que permita ao estado participar.
No horizontePortabilidadeA Fontes Promotora de Crédito, segunda maior correspondente bancária do país, com unidade em Salvador, movimentou este ano R$ 42 milhões em operações de portabilidade de crédito, que oferece reduções de até 20% nos débitos. Efeito do aperto nas contas das famílias brasileiras. 
Fonte: CORREIO

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Projeto implantado pela Codevasf no norte baiano comemora alta produtividade agrícola


Projeto implantado pela Codevasf no norte baiano comemora alta produtividade agrícola
Produtores estimam mais de 60 mil toneladas e faturamento de R$ 45 milhões este ano, com destaque para melão amarelo, cebola e tomate
A produção agrícola total deverá ultrapassar as 60 mil toneladas, e o valor bruto deve alcançar R$ 45 milhões. Essa é a previsão para este ano dos agricultores do projeto público de irrigação Salitre, situado à margem direita do rio São Francisco no norte baiano - uma área implantada e gerida pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) na qual o melão amarelo se destaca: a fruta é conhecida por seu sabor diferenciado, atribuído ao tipo de solo da região do Vale do rio Salitre.
A produtividade do melão amarelo contabilizada no Salitre se mantém entre as mais altas do país: são 42,7 toneladas por hectare a cada uma das cinco safras de cada ano. Outro destaque é a cebola, cultivada em dez hectares do projeto e com três safras anuais: a produtividade é de 33,72 toneladas por hectare. A banana prata tem safra todos os meses do ano, com produtividade anual de 29,15 toneladas por hectare.
“Em seis anos de funcionamento, o Salitre vem se destacando por seus resultados agrícolas. São mais de cinco mil hectares que alcançam altos níveis de produtividade, como no caso do tomate, com uma média de 30 toneladas por hectare em cada uma das três safras do ano”, assinala o superintendente Tomateregional da Codevasf em Juazeiro, Misael Aguilar da Silva Neto, que se reuniu esta semana com os produtores para tratar do processo de criação do Distrito de Irrigação Salitre (DIS) - entidade que será responsável por gerir o projeto e que terá como base a atual Associação dos Usuários do Perímetro Irrigado Salitre (Asupis). 
O Salitre reúne atualmente 255 pequenos produtores, 28 médios empresários e uma empresa regional de grande porte instalados nos 5 mil hectares da primeira etapa do projeto. O perímetro gera cerca de seis mil empregos diretos e indiretos, segundo estimativas dos técnicos da Codevasf que atuam na área.
Agricultura sustentável
O Salitre foi planejado para ocupar uma área total de 67.400 hectares, sendo 33.900 hectares irrigáveis e 16,6 mil de áreas de sequeiro (destinadas a atividades não-irrigadas, como a criação de animais). A área de reserva legal é de 13,5 mil hectares e a de preservação permanente de 1,8 mil hectares. A superfície agrícola útil é estimada em 31,3 mil hectares.
O projeto foi concebido para ser um modelo de agricultura sustentável. A água é captada no rio São Francisco, distribuída através de canais e utilizada no lote agrícola por meio de sistemas de irrigação por gotejamento ou microaspersão, o que gera uma grande economia e melhor aproveitamento dos insumos agrícolas com considerável ganho ambiental.

Investimento de R$ 4,4 milhões da Codevasf no norte baiano fortalece produção familiar em comunidades rurais


Investimento de R$ 4,4 milhões da Codevasf no norte baiano fortalece produção familiar em comunidades rurais
São 2.640 famílias com acesso assegurado a máquinas e implementos necessários ao cultivo agrícola e a alimentação dos rebanhos 
Preparar a terra para o cultivo e alimentar os rebanhos de caprinos e ovinos têm sido tarefas de execução muito mais fácil para 2.640 famílias do norte baiano – um conforto especial em tempos de estiagem prolongada.
Foi para assegurar a produção e o sustento de agricultores familiares de 132 comunidades rurais daquela região que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) investiu, nos últimos anos, cerca de R$ 4,4 milhões – recursos aplicados na aquisição de forrageiras, tratores e implementos agrícolas para o uso de associações de pequenos produtores na lavoura e nas criações animais. 
Em operação, os equipamentos hoje geram renda, melhoram a qualidade de vida e fortalecem a economia regional em municípios como Campo Alegre de Lourdes, Sento Sé, Jaguarari, Jacobina, Ourolândia, Mirangaba e Curaçá, entre outros da área de atuação da 6ª Superintendência Regional da Codevasf, sediada em Juazeiro (BA). A maior parte dos recursos é oriunda do Orçamento Geral da União por meio de emendas parlamentares destinadas à Codevasf. 
“Com o apoio da Codevasf, conseguimos realizar um sonho, que era o de adquirir uma máquina agrícola. Hoje o homem do campo tem o trator dentro da roça e todo o equipamento estruturante necessário para melhorar sua atividade”, afirma o agricultor José Neto, da Associação Comunitária Riacho dos Paes, situada na zona rural de Sento Sé, com 85 famílias de produtores associadas. 
Na comunidade Riacho dos Paes, os kits fornecidos no ano passado têm facilitado o preparo da terra para o cultivo do feijão, milho, mandioca e cebola, bem como a trituração de forragens para alimentar os rebanhos, beneficiando atualmente mais de 240 famílias da zona rural do município de Sento Sé.
“Além disso, a Codevasf vem trabalhando junto com a nossa comunidade em outras áreas, como a de implantação de um sistema simplificado de abastecimento de água, que facilitou a vida de muitas famílias”, conta o agricultor José Neto. 
Joaquim Souza, presidente da Associação da Pedra Branca, município de Campo Alegre de Lourdes, acrescenta que, em tempos de seca, o trator agrícola trouxe alívio aos 54 produtores na tarefa de buscar e trazer água para as famílias. “Agora que começou a chover, a produção agrícola vai melhorar”, aposta.
De acordo com Luciano Rocha, da 6ª Superintendência Regional da Codevasf, os investimentos feitos nas comunidades atendidas pela Companhia têm gerado resultados satisfatórios.
“Os equipamentos disponibilizados às associações de pequenos produtores trazem mais autonomia para suas atividades agropecuárias, suporte de transporte de água e alimento para os rebanhos de seus animais. Além disso fortalecem as entidades com a entrada de novos sócios, estimulados com o desenvolvimento da associação – e, por consequência, a melhoria da qualidade de vida dos habitantes da localidade”, conta.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Criadores de toda a Bahia já podem vacinar seus rebanhos contra Febre Aftosa

 Começou no dia 1º de Novembro a segunda etapa de Vacinação contra Febre Aftosa em todo o território baiano. Nesta etapa, que segue até o dia 30 deste mês, todos os bovinos e bubalinos com idade de 0 a 24 meses deverão ser vacinados, e o rebanho acima desta idade deverá obrigatoriamente ser atualizado, mesmo que o criador não tenha animal nesta faixa etária para vacinar.
 A expectativa da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), vinculada à Secretaria da Agricultura (SEAGRI), é que sejam vacinados 95% dos bovinos e bubalinos nesta faixa de idade. A população vacinável nesta etapa é de 3,5 milhões de cabeças, de um total de 10,3 milhões existentes no Estado. A Bahia é reconhecida Internacionalmente como Livre da Febre Aftosa com Vacinação desde 2001, pela Organização Mundial de Saúde Animal – OIE.
 A novidade desta etapa, é que o criador pode fazer a declaração da vacinação do rebanho via internet, através do site da ADAB. O secretário da Agricultura, Vitor Bonfim, explicou que o processo de vacinação e declaração vem sendo atualizado e facilitado a cada ano. “A declaração da vacinação pelo produtor hoje pode ser realizada de forma virtual, não sendo mais necessário se deslocar até um escritório da ADAB, como também já acontece com a emissão de Guia de Trânsito Animal – GTA, para que os animais possam transitar sem restrição”, disse.
 Bonfim pontuou ainda, que “a participação do governo do Estado, através da SEAGRI/ADAB, com o apoio dos serviços veterinários e do setor agroprodutivo, segue na luta para a prevenção contra febre aftosa, e na busca de alcançar este status semvacinação, na Bahia e no Brasil”.
 O diretor-geral da ADAB, Marco Vargas, destacou que “a Bahia vem atingindo índices de vacinação preconizados pela OIE, e apesar da seca que se abate sobre o Estado, atingimos uma taxa de vacinação de 93,84 na etapa anterior, com população de 10.389.079 cabeças, e um total de 299 mil produtores com bovinos e bubalinos. Somos o 8º rebanho nacional”. Na primeira etapa da campanha, as regionais de Salvador (98,05%); Itapetinga (97,95%) e Teixeira de Freitas (97,03%) obtiveram os melhores índices de vacinação, seguidas por Itaberaba (96,24%) e Irecê (95,27%). Destacaram-se ainda os municípios de Acajutiba, Cairu, Cardeal da Silva, Ibititá, Itaparica, Ituberá e Rio do Pires, que alcançaram o índice de 100%.
 O Diretor de Defesa Animal da ADAB, Rui Leal, ressaltou que “este é um período importante, em que o produtor tem o compromisso de manter a garantia e a qualidade do rebanho do Estado. É importante que o produtor não deixe para vacinar seu rebanho na última hora e não se esqueça de declarar via internet ou num escritório da ADAB”.
Passo a passo para Declaração de Vacinação Via Internet
Para declarar a vacinação basta acessar o www.adab.ba.gov.br, e clicar na aba a direita da tela “Sistema Informatizado”. Digitando o login (CPF ou CNPJ) e a senha, o criador poderá efetuar a declaração de forma rápida e fácil, e no caso de dificuldades, é só acessar o tutorial disponível na página. O produtor que já acessa o site da ADAB para efetuar solicitação da GTA poderá utilizar a mesma senha e login. Aquele que não possui senha de acesso terá que se dirigir à gerência regional da ADAB mais próxima, para adquiri-la com auxílio do gerente técnico da Agência e/ou coordenador regional. A senha pode ser solicitada pelo próprio produtor ou por portador, munido de procuração pública.

Clima favorece e Matopiba acelera plantio da soja

Produtores do Matopiba, fronteira agrícola brasileira entre os Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, se preparam para acelerar o plantio de soja, em meio à previsão de chuvas mais frequentes a partir deste final de semana. A expectativa é de recuperar perdas da safra passada. A região foi a mais prejudicada pela seca em 2015/2016, com queda de produção de 35,6% ante o ciclo anterior, somados os quatro Estados da região.
Os agricultores estão otimistas com as perspectivas climáticas para a safra 2016/2017, mas se mostram cautelosos com a expansão de áreas, em razão do aumento do endividamento. Na Bahia, maior produtor de soja do Matopiba e Estado que enfrentou cinco anos seguidos de seca, o plantio começou de fato só na semana passada, contou o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Júlio Cézar Busato. “Produtores levaram suas máquinas para o campo agora e estão plantando porque a previsão é favorável.”
A região teve chuvas em setembro e outubro, mas poucos arriscaram semear após a queda de produção de 23,2% no ano passado, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Busato lembrou que a seca provocou prejuízos não só na soja, como também no milho e no algodão. “Temos tecnologia suficiente para produzir em anos com 20 a 25 dias de seca. Agora, quando ultrapassa 30 dias – e, no ano passado, houve 47 dias sem chuva -, não há tecnologia que aguente.”
Desistência. Com as recorrentes adversidades climáticas grandes grupos agrícolas retraem investimentos na região. Esta semana, a SLC Agrícola, uma das empresas de terras e produção agrícola de capital aberto, disse aos acionistas ter alterado seu portfólio de terras ali. “No Nordeste, ao longo do ano, arrendamos para vizinhos 13 mil hectares. Já temos assinado o distrato de um contrato de mais 5 mil hectares para 2017”, apontou o diretor presidente da SLC, Aurélio Pavinato, ressaltando que a companhia deixará de trabalhar, no total, em 18 mil hectares na região.
O executivo ressaltou que o último ano foi “fora da curva”, porque provocou a pior redução concomitante de produtividade de soja e de algodão, causando um expressivo déficit de fluxo de caixa na região.
No Piauí, Estado que teve maiores perdas na safra passada, de 64,8%, segundo a Conab, a expectativa para 2016/17 é positiva e vários produtores já recontrataram mão de obra. “A seca teve reflexo negativo sob vários aspectos e provocou um nível de desemprego alto”, disse o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado, Altair Fianco. Fianco, que é produtor em Uruçuí, tinha 32 funcionários e terminou a última safra com 9. Hoje já está com 25. “A maioria dos produtores está recontratando”, disse.
Para ele, a saída de alguns agricultores do Piauí está restrita a algumas companhias. “Se tiver uma sequência de duas a três safras ruins, pode ficar complicado. Mas por enquanto produtores estão aguentando bem.” Segundo ele, os ciclos anteriores, de 2013/14 e 2014/15, não foram excepcionais, mas trouxeram rentabilidade, e em anos anteriores o Estado atingiu boa produtividade. “Vejo que há apreensão, mas em agricultores estabelecidos não vejo debandada.”
No Piauí, parte dos produtores teve chuvas em suas áreas entre o fim de setembro e 10 de outubro, o que permitiu o cultivo de soja logo no começo do calendário agrícola. Agricultores piauienses esperam retomar a área que em 2015 não pode ser semeada com soja por causa da seca. “O ano passado eu diria que a gente quase não teve safra. De uma perspectiva de colher 1,8 milhão de toneladas, acabamos tirando 645,8 mil toneladas.”
A analista Daniele Siqueira, da AgRural, assinalou que produtores em todo o Matopiba estão plantando e tiveram um bom avanço ao longo da semana. “Está melhor do que no ano passado”, afirmou a analista, ponderando, contudo, alguns problemas no Tocantins. “Produtores plantaram antes esperando chuva, mas ela não veio e tiveram que replantar. Mas agora a chuva já chegou e há previsão para mais.”
No Maranhão, em torno de 30% a 35% da área prevista para a soja já foi semeada, segundo o presidente da Aprosoja do Estado, Isaías Soldatelli. O plantio começou em 1.º de outubro, mas produtores de poucas áreas conseguiram semear até o dia 20. “O maior volume de plantio ocorreu nos últimos dias”, informou. “A chuva estava irregular e teve até alguma coisa de replantio, mas foi um problema localizado. Produtor entrou plantando com cautela.”
Na maioria das áreas, o aspecto das plantas tem agradado aos produtores, que esperam uma colheita melhor do que a safra passada, quando Maranhão foi o segundo Estado com maior queda de produção do Matopiba, de 39,6%.
Canal Rural com informações Estadão Conteúdo